A VAQUEJADA

Vaquejada: o símbolo cultural do Esporte Nordestino

 
A Vaquejada é uma tradição que vem de geração em geração há centenas de anos. Na sociedade atual além de mantenedor da cultura de uma região do país é a mola propulsora da economia dos Estados Nordestino. Sendo o carro chefe de toda a indústria do cavalo Quarto de Milha. A Vaquejada está contida como patrimônio cultural nordestino, que vem passado de pai para filho trazendo em suas raízes a tradição através do esporte, a criação de empregos diretos e indiretos e o sustento de milhares de famílias.
Grandes escritores e historiadores souberam transmitir em palavras a representatividade desta paixão nordestina, entre eles o cearense José Martiniano de Alencar, que escreveu em 1874 o livro “Puxada de rabo do boi”; como também o norte-rio-grandense Luís da Câmara Cascudo, em 1976, “A vaquejada nordestina e sua origem”; e, em 1986, o pernambucano Manuel Correia de Oliveira Andrade lançou “A terra e o homem do Nordeste”.
Outra importante fonte de informação para os nordestinos, que amam esta tradicionalíssima modalidade esportiva, a pesquisa divulgada com o título: “Estudo do Complexo do Agronegócio Cavalo, realizada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) e publicada em 2006 pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a história da Vaquejada teve seu início na região Nordeste no final do século XIX, estritamente para os proprietários de fazendas e sítios. Como evento aberto ao público, o trabalho mostra que as provas começaram nos anos 40 e, a partir de 1980, as regras começaram a ser definidas de uma maneira melhor e os prêmios distribuídos aos competidores. A partir daí, começaram a se transformar em grandes eventos, apoiados por patrocinadores. Com o passar dos anos a modalidade ganhou grande impulso nos últimos dez anos, principalmente com a introdução de cavalos de maior valor, que variam entre R$ 150 e R$ 200 mil, e a consolidação das regras, embora com variações regionais. Em 2001 o vaqueiro foi equiparado ao atleta profissional ao atleta profissional, conferidos os seus direitos conforme Lei nº 10.220, de 11 de abril de 2001.
Para a realização de uma prova de Vaquejada, há o envolvimento de aproximadamente 270 profissionais, entre veterinários, juízes, inspetores, locutores, equipes de circuito como: organizadores, seguranças, limpeza e apoio de gado, entre outros. Além desta estrutura, ocorre também a contratação de pessoas ligadas às várias bandas musicais que fazem parte da programação dos shows, o setor de alimentação e outras atividades de apoio ao evento.
Segundo ainda a pesquisa, cada etapa contabiliza em média cerca de 550 duplas de vaqueiros, que desembolsam aproximadamente R$ 1,1 milhão em senhas (média de valor por senha: R$ 300,00 a 1ª e R$ 250,00 a 2ª). No período que foi realizada a pesquisa, estimava-se que existia três milhões de adeptos desta prática esportiva que atuavam em duas mil provas anualmente, sendo destas 400 oficiais e a movimentação econômica desta atividade é calculada em R$ 164 milhões. Conforme pesquisa publicada em 2006 pela Confederação da Agriculta e Pecuária do Brasil (CNA). Hoje, esses números de eventos praticamente dobraram, segundo as informações da Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ):
NÚMEROS ATUAIS DA VAQUEJADA/ANO 2014-15
Giro 600 milhões por ano
120 mil EMPREGOS DIRETOS
600 mil EMPREGOS INDIRETOs
650 Milhões de PESSOAS CIRCULANTES por ano
Estão inclusos nestes números os leilões e feiras agropecuárias: 4 mil vaquejadas por ano, das quais 60 apresentam premiação superior a R$ 150 mil. O esporte que mais cresce no Brasil. O maior esporte em número de publico no nordeste, perdendo só para o futebol.
A ABVAQ em atuação conjunta com a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha são as responsáveis por implantar os regulamentos das competições e normas de conduta voltadas sempre ao Bem-Estar Animal. E o Comitê Nacional de Vaquejada – órgão oficial da ABQM, entidade que acompanha todos os circuitos oficializados e organizados pelas Associações e Núcleos da raça Quarto de Milha em todos os estados nordestinos, proporcionando credibilidade e apoio para que sejam realizados com grande sucesso.
 
 
A HISTÓRIA DA VAQUEJADA
 

Na época dos coronéis, quando não havia cercas no sertão nordestino, os animais eram marcados e soltos na mata. Depois de alguns meses, os coronéis reuniam os peões (vaqueiros) para juntar o gado marcado. Eram as pegas de gado, que originalmente aconteciam no Rio Grande do Norte. Montados em seus cavalos, vestidos com gibões de couro, estes bravos vaqueiros se embrenhavam na mata cerrada em busca dos bois, fazendo malabarismos para escaparem dos arranhões de espinhos e pontas de galhos secos. Alguns animais se reproduziam no mato. Os filhotes eram selvagens por nunca terem mantido contato com seres humanos, e eram esses animais os mais difíceis de serem capturados. Mesmo assim, os bravos vaqueiros perseguiam, laçavam e traziam os bois aos pés do coronel. Nessa luta, alguns desses homens se destacavam por sua valentia e habilidade, e foi daí que surgiu a ideia da realização de disputas.

A primeira vaquejada ocorrida no mundo, foi na cidade de Morada Nova no Ceara. O Rio Grande do Norte é apontado como o estado que deu o primeiro passo para a prática da vaquejada. A cidade de Currais Novos é o berço das vaquejadas, onde a tradição é mantida até os dias atuais. O historiador Câmara Cascudo dizia que por volta de 1810 ainda não existia a vaquejada, mas já se tinha conhecimento de uma atividade parecida. Era a derrubada de vara de ferrão, praticada em Portugal e na Espanha, onde o peão utilizava uma vara para pegar o boi. Mas derrubar o boi pelo rabo, a vaquejada tradicional, é puramente nordestina. Na região Seridó do Rio Grande do Norte, mais precisamente no município de CURRAIS NOVOS onde tudo começou, era impossível o uso da vara, pois o campo era muito acidentado e a mata muito fechada, e por essa razão tudo indica que foi o vaqueiro seridoense o primeiro a derrubar boi pelo rabo.

Somente em 1874 apareceu o primeiro registro de informação sobre vaquejada. O escritor José de Alencar escreveu a respeito da “puxada de rabo de boi” no Ceará, mas não como sendo algo novo, ele deixou claro que a prática já ocorria anteriormente. E se existia no Ceará, era indiscutível que pudesse existir em estados vizinhos como, Rio Grande do Norte, Paraíba e Piauí, já que eram regiões tão semelhantes nos hábitos, atividade econômica e social, e ambiente físico. Foi isso que levantou a suspeita dos pesquisadores. Eles descobriram pela tradição falada que muito antes de 1870 já se praticava vaquejada no Seridó Potiguar. Uma indicação para isso era a existência dos currais de apartação de bois, que deram origem ao nome da cidade de CURRAIS NOVOS, também no Rio Grande do Norte. Esses currais foram feitos em 1760. E era entre 1760 e 1790 que acontecia em Currais Novos a apartação e feira de gado. Foram dessas apartações que surgiram as vaquejadas. O pátio de apartação de São Bento, no município de Currais Novos foi construído em 1830.

No Nordeste, desde a colonização, o gado sempre foi criado solto. A coragem e a habilidade dos vaqueiros eram indispensáveis para que se mantivesse o gado junto. O vaqueiro veio tangendo os bois, abrindo estradas e desbravando regiões. Foram eles os grandes desbravadores do sertão nordestino, e muito especialmente do sertão do Seridó, região cheia de contos e lendas de bois e de vaqueiros.

Evolução da vaquejada

De 1880 a 1910: A prática era com a lida do boi, a apresentação nos sítios e fazendas. Não existia formalmente o termo Vaquejada. O Brasil vivia um momento de transição da Monarquia para a República. As músicas de Chiquinha Gonzaga estouravam nas paradas de sucesso.

De 1920 a 1950: A ideia da festa da vaquejada começava a existir com as brincadeiras de argolas e corridas de pé-de-mourão. Nesse período, o temido Lampião costumava participar das festinhas com argolas, em fazendas de amigos. Na época destacavam-se, na música, Noel Rosa,Ari Barroso, e surgia um garoto chamado Luiz Gonzaga no Brasil republicano, onde brilhou a estrela de Getúlio Vargas.

De 1960 aos anos 70: Começam a ser disputadas as primeiras vaquejadas na faixa dos seis metros. Ainda eram eventos de pequeno porte, em sua maioria festinhas de amigos, com participação mínima de vaqueiros. O Brasil vivia a época da ditadura. O forró de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês e outros animavam as festas.

De 1980 aos anos 90: Mudanças nas regras da vaquejada. A faixa dos seis metros, que exigia força do vaqueiro, passou a ser de dez metros, cuja principal característica é a técnica. Começam a ser distribuídos prêmios para os competidores, mas o público ainda era pequeno. Época em que o País inteiro foi às ruas gritar pelas eleições diretas que foram consolidadas em 1988.

Anos 90 até a atualidade: A vaquejada é encarada como um grande negócio. Os organizadores começam a cobrar ingressos e o público entende a proposta. O vaqueiro é reconhecido como um atleta da pista. Nasce um novo forró com o surgimento de bandas como “Mastruz com Leite“. Resultado: parques lotados e, a cada ano, surgem mais pessoas interessadas pela atividade.

Depois de muito tempo, a vaquejada só tende a crescer como um bom esporte para o povo nordestino e também para amantes da vaquejada em outras regiões. O crescimento veio pelo fato da criação das categorias(aspirante, amador, profissional), fazendo com que a prática desse esporte se expanda.

Os fazendas de antigamente com o passar do tempo vai se estruturando de acordo com as atualidades e novas vão se criando. Suas estruturas, formas de criação dos animais, qualidades são melhoradas para obter ótimos vaqueiros e animais, que na vaquejada, dão o seu melhor para levar resultado para sua equipe(Fazenda,Rancho,Haras). Dentre uma pesquisa realizada em alguns estados encontram-se os seguintes parques e haras de vaquejada com maiores títulos em disputas pelas regiões brasileiras:

Parque Nacional do vaqueiro, Serrita (Pernambuco) – Parque Haras VM, Pernambuco. – Parque Milani,Pernambuco. – Parque Rancho do Pinguim, João Pessoa, Paraíba. – Parque Ivandro Cunha Lima, Campina Grande, Paraíba. – Parque Maria do Carmo, Serrinha, Bahia. – Parque Miguel da Hora – Jaguaquara – Parque Sant’Ana Campo Grande, Rio Grande do Norte. – Parque Porcino Park Center, Mossoró, Rio Grande do Norte. – Clube do Vaqueiro, Fortaleza. – Parque Sossaite, Maragogi, Alagoas.

Regras

As disputas são entre várias duplas, que montados em seus cavalos perseguem pela pista e tentam derrubar o boi na faixa apropriada para a queda, com dez metros de largura, desenhada na areia da pista com cal. Cada vaqueiro tem uma função: um é o batedor de esteira, o outro é o puxador.

O Batedor de Esteira

É o encarregado de “tanger” o boi para perto do derrubador no momento da disparada dos animais e pegar o rabo do boi e imediatamente passar para o colega, além de empurrar com as pernas do seu cavalo, o boi para dentro da faixa caso o boi tente levantar-se fora da faixa.

O Puxador

É o encarregado de puxar o rabo do boi e de derrubá-lo dentro da faixa apropriada, e também quem faz quase todo o trabalho não desmerecendo o esteira.

O Juiz

O juiz serve como árbitro na disputa entre as duplas e deve ficar ao alto da faixa onde o boi será derrubado. Ao cair na pista, dependendo do local, pontos são somados ou não a dupla. Se o boi for derrubado dentro da faixa apropriada para esse fim, com as quatro patas para o ar, ele grita para o público: “Valeu Boi”, então, soma-se pontos a dupla, se isso não acontecer, ele fala: “Zero”, a dupla não consegue somar pontos.E ganha aquele que tiver mas ponto somada,e aie e só festejar mas uma vitoria.

Regulamentação

O Peão de vaquejada hoje é regulamentado pela Lei nº 10.220, de 11 de abril de 2001, que considera “atleta profissional o peão de rodeio – Entendem-se como provas de rodeios as montarias em bovinos e eqüinos, as vaquejadas e provas de laço, promovidas por entidades públicas ou privadas, além de outras atividades profissionais da modalidade organizadas pelos atletas e entidades dessa prática esportiva”.

Empresários de todo o país vêem o evento como um grande e próspero negócio. As vaquejadas são consideradas “Grandes Eventos Populares” deixando de ser uma simples manifestação Cultural Nordestina, e atraindo um excelente público onde quer que aconteçam.